quinta-feira, março 19, 2009

Uma questão de direitos

Estamos no mês do "Projecto de Sensibilização para a Pobreza Extrema" no GBU e algumas coisas em que tenho pensado desde há cerca de ano e meio, são a questão dos direitos..

Achamos que conquistamos os nossos direitos, com trabalho, esforço ou até posição em que nascemos. Reclamamos esses direitos e na maior parte das vezes nem pensamos ou questionamos.

Por exemplo, vamos ao supermercado e partimos do pressuposto que temos o direito de comprar o que bem nos apetece com o NOSSO dinheiro; baseamos as nossas escolhas na comodidade, facilidade e/ou valor monetário mais baixo;

Mas o que seria diferente se as nossas escolhas fossem baseadas antes em: justiça, responsabilidade, generosidade e consciência global?

Justiça: não pensariamos apenas nos nossos direitos. Pensariamos antes se o nosso direito se sobrepõe a um direito básico de outras pessoas, então perdemos esse direito. Não é uma questão de sermos piedosos ou solidários, simplesmente não temos esse direito, ponto. É uma questão de ética, de valores. Somos geridos por valores de JUSTIÇA?

Responsabilidade e Gratidão: damos valor ao que nos foi dado, usamos o mais que pudermos, enquanto pudermos; pensamos, avaliamos os recursos que foram gastos para produzir o nosso capricho;Trocamos o que é descartável pelo que é reutilizável (e sim, vai dar trabalho); não nos deixamos enganar pelas "necessidades" que os media ou outros incutem em nós dia após dia. Apercebemo-nos de que temos vivido em relativo luxo e abdicamos de algumas dessas coisas como estilo de vida.

Consciência Global: Não existem eles e nós; cada um de nós é responsável por aquilo que lhe foi dado e tem sempre escolha, escolher fazer o que está certo; escolher mudar a sua percepção do mundo, de por exemplo, o que pode fazer para que todas as crianças do mundo fiquem mais próximas das metas para desenvolvimento do Milénio estabelecidas pelas Nações Unidas para 2015. Somos responsáveis pelo mundo em que vivemos.

Posso dizer que a questão da responsabilidade social e ambiental, que se encontram intimamente ligadas, sempre foi algo que me tocou desde muito cedo, mas à medida que fui descobrindo acerca duma pessoa, isto tornou-se inevitável. Essa pessoa é Jesus. Ele abdicou do seu (real) direito e viveu entre nós; confinou-se ao espaço e ao tempo, deu, deu e deu, não trocava a oportunidade de dar por mais uma saída à noite ou mais uns canais da TV Cabo.

O que teria acontecido se ele tivesse pensado nos seus direitos?! Mas Jesus era uma pessoa resolvida por dentro, sabia bem quem era e que o seu valor não dependia do que os outros viam nele. Mas que inspiração, não é???

A outra coisa que me encoraja, é saber que o mal, a pobreza, a fome, a guerra, a injustiça, o sofrimento têm de facto os seus dias contados. O mal não tem a última palavra e eu posso fazer parte e, aliás sou convidada (convite para o Reino de Deus), a fazer parte desse processo de regeneração, por causa, uma vez mais, duma pessoa - Jesus.

Não é fácil, nada fácil abdicar dos direitos que sempre achámos que tivemos.. não é nada fácil..