terça-feira, março 27, 2007

Feromonas

Isto de se comemorar o dia internacional da poesia no dia 21 de Março diz mais acerca da Primavera do que acerca da poesia.

O, she doth teach the torches to burn bright!
It seems she hangs upon the cheek of night
Like a rich jewel in an Ethiope's ear;
Beauty too rich for use, for earth too dear!
So shows a snowy dove trooping with crows,
As yonder lady o'er her fellows shows.
The measure done, I'll watch her place of stand,
And, touching hers, make blessed my rude hand.
Did my heart love till now? forswear it, sight!
For I ne'er saw true beauty till this night.

Romeu disserta sobre Julieta (by William Shakespeare)

segunda-feira, março 26, 2007

Primavera

Este sábado estive à janela a contemplar a chegada da Primavera com o mamífero mais observador da casa.
Acabei por concordar com ela a respeito das aves, que são na sua generalidade ostensivas e provocadoras e merecem os destinos desgraçados que lhes possamos sentenciar.

(O tal mamífero acha também que os pássaros são apenas uma versão mais rápida e suculenta das traças – neste ponto não chegamos a acordo pois nunca comi traças...)

quinta-feira, março 22, 2007

Ontem aconteceu um acidente no meu laboratório. Um reactor que se encontrava a 150 atmosferas rebentou cuspindo pelo firmamento finas partículas de químicos capazes de transformar o mais comum dos mamíferos em algo novo...

A explosão assustadora impregnou-me a pele de uma substância chamada sacarina (ou Benzisotiazol) que tem a particularidade de ser 400 vezes mais doce que o açúcar.
Ainda não descobri totalmente os poderes especiais que este cataclismo me conferiu mas as expectativas são altas!
Neste momento estou mais preocupado com o nome... sugarmen não tem muito impacto mas soa bem melhor que sweetie boy – por exemplo.

Talvez Saccharine...

quarta-feira, março 21, 2007

Politica de transportes

Até ao dia de hoje defendi que a bicicleta é um excelente meio de transporte que permite retirar dividendos em 3 áreas:

- gestão dos recursos ambientais,
- gestão da sanidade física
- gestão dos recursos financeiros

Durante o trajecto velocipédico de hoje fui iluminado por uma brisa ascendente que me revelou a existência de uma restrição relativa ao terceiro item. Apenas é possível obter vantagens financeiras se a bicicleta valer mais do que as calças.

O incidente também me refrescou o intelecto relativamente a outros itens que deveriam contra-balancear a lista supra mencionada, nomeadamente, prejuízos de responsabilidade civil como atentados ao pudor e danos morais.

sexta-feira, março 16, 2007

Espírito académico

Há alguns dias fui visitar as minhas amiguinhas do sexto ano de medicina dentária no decorrer da sua disciplina de Cirurgia Oral. O meu dente do siso (3-8) está em mau estado e tem de ser extraído.
Já deitado na cadeira as pequenas algozes dizem-me que não têm competência para arrancar esse dente por estar incluso, apenas os professores o podem fazer mas tem que se marcar consulta. Propuseram-me então que se arrancasse outros dentes (o 1-8 e o 2-8) “já que estava ali não valia a pena perder a viagem” – disseram.
Depois de alguma relutância inicial comecei a entrar no espírito e acedi que me extraíssem um deles, “basta um” – disse eu.
Depois de um breve sorteio calhou o 1-8.

E foi assim que não se perdeu a viagem e o relatório das moças ficou mais composto.

domingo, março 11, 2007

Diz que é uma espécie de Mezzanine

Mais uma vez os mamíferos que intervêm neste blogue assumem o desafio de contraprogramar outros produtos da comunicação social.
Domingos à noite estamos assim... mais mesquinhos que a TVI.

Às vezes sinto que o mundo é um apartamento com mezzanine, em que uns ficam na amurada a observar os outros que andam lá em baixo a comer croquetes e a beber sumo de laranja.
Obviamente que há malta capaz de atirar com croquetes à cabeça dos mezzanínicos. Resolvi escolher uma dessas incontornáveis figuras para o nosso primeiro programa.




















Deixo-vos com um excerto do tema musical FMI:
(neste programa não há necessidade de alterar as letras dos intervenientes)

“... É pá, deixa-te disso, não destabilizes pá! Eh, faz favor, mais uma bica e um pastel de nata. Uma porra pá, um autentico desastre o 25 de Abril, esta confusão pá, a malta estava sossegadinha, a bica a 15 tostões, a gasosa a sete e coroa... Tá bem, essa m_ _ _ _ da pide pá, Tarrafais e o carágo, mas no fim de contas quem é que não colaborava, ah? Quantos bufos é que não havia nesta m_ _ _ _ deste país, ah? Quem é que não se calava, quem é que arriscava coiro e cabelo, assim mesmo, o que se chama arriscar, ah? Meia dúzia de líricos, pá, meia dúzia de líricos que acabavam todos a fugir para o estrangeiro, pá, isto é tudo a mesma carneirada! Oh sr. guarda venha cá, á, venha ver o que isto é, é, o barulho que vai aqui, i, o neto a bater na avó, ó, deu-lhe um pontapé no cu, né filho? Tu vais conversando, conversando, que ao menos agora pode-se falar, ou já não se pode? Ou já começaste a fazer a tua revisãozinha constitucional tamanho familiar, ah? Estás desiludido com as promessas de Abril, né? As conquistas de Abril! Eram só paleio a partir do momento que tas começaram a tirar e tu ficaste quietinho, né filho? E tu fizeste como o avestruz, enfiaste a cabeça na areia, não é nada comigo, não é nada comigo, né? E os da frente que se lixem... E é por isso que a tua solução é não ver, é não ouvir, é não querer ver, é não querer entender nada, precisas de paz de consciência, não andas aqui a brincar, né filho? Precisas de ter razão, precisas de atirar as culpas para cima de alguém e atiras as culpas para os da frente, para os do 25 de Abril, para os do 28 de Setembro, para os do 11 de Março, para os do 25 de Novembro, para os do... que dia é hoje, ah? ...”

sexta-feira, março 09, 2007

Ciência Lusa

Faz hoje 15 dias que entreguei o meu corpo para experiências cientificas. Actualmente a minha boca está hipotecada a duas alunas na faculdade de medicina dentária.
Desenganem-se aqueles que julgam que o faço por amor à ciência. Sei bem o que a casa gasta, tudo o que seja aulas práticas tende a dar para o torto...
Mas enfim, ser bolseiro científico em Portugal transforma-nos em criaturas desarreigadas de materialismo, tudo começa a parecer-nos eficiente dentro da máxima: “é prá desgraça, é prá desgraça” e começamos a orgulhar-nos da falta de bom senso.
A seguir vem o descuido com a higiene pessoal - critério imprescindível para que um dia transitemos de bolseiros para professores assistentes – se chegarmos lá, até nos deixam tomar conta de um aparelho qualquer cujo nome se pronuncie por acrónimos...

segunda-feira, março 05, 2007

A minha estirpe musical