sexta-feira, agosto 25, 2006

Publicidade Gratuita II

Decidi fazer um arquivo de quase tudo o que tenho escrito por aqui e por aqui. Por isso, se tiverem paciência ou insónias, não deixem de passar pelo meu Balde de Lixo.

quinta-feira, agosto 24, 2006

e por falar em praia...

amanha lá vamos nós com a nossa mais velha, rumo ao reino dos Algarves...

quarta-feira, agosto 23, 2006

Ainda sobre a praia e as suas complexidades

A praia, dizem, é o lugar mais democrático do mundo. Há espaço para ricos, pobres, magros, gordos, crianças, velhos. Para todos. Isto, desde que cada um fique na sua, claro. A verdade é que há muito que a praia deixou de ser um lugar democrático. Os ricos têm as suas próprias praias, assim como os homossexuais, surfistas, velhos e pretos. As praias tornaram-se clubes. Até os guias turísticos, que antes diferenciavam as praias pela paisagem, temperatura da água ou localização, identificam as praias por quem lá vai. E cada um sabe onde ir e qual o clube a que pertence. A sua praia.

Contudo, as coisas não são assim tão simples. De verdade não somos nós que escolhemos a praia para onde queremos ir. Tal qual, surpreenda-se, como não escolhemos o super mercado onde fazemos as nossas compras. Acredite ou não, mas essas escolhas já alguém fez por si. Intencionalmente. Mas, ao mesmo tempo, fazendo-nos acreditar que somos nós que decidimos

Vejamos, então. Porque raio é que você opta por ir à praia da Fonte da Telha em vez de ir à praia da Morena, sabendo que a Fonte da Telha é uma praia feia, suja, com pouco estacionamento, muita gente e pior ambiente? Porque não vamos todos para a praia da Morena, que tem melhor ambiente, é mais organizada, limpa e sem casas clandestinas nas dunas?

Os bares e restaurantes de apoio a cada uma das praias talvez nos ajudem a responder ás questões anteriores. Por exemplo, sabia que um café na Morena custa cerca de 1,5€ enquanto na Fonte da Telha apenas 0,75€? Porque será? A nossa primeira resposta seria porque, possivelmente, na Morena as rendas são mais elevadas. O que até pode ser verdade, mas não a principal razão. De facto, o café continua a custar 1,5€ porque há clientes que estão dispostos a pagá-lo e não por causa do custo da renda. E porque preferem pagar 1,5€ por café? Não julgue que seja só porque podem fazê-lo. Poder fazê-lo não significa que uma pessoa opte por o fazer. A verdade é que as pessoas optam por fazê-lo porque não há concorrência, nas mesmas condições - por isso é que na Morena só existe um único bar-restaurante adjudicado. Mas se as pessoas sabem disso, porque continuam a ir lá? Talvez, antes de responder a esta questão, faça sentido colocar outras. Porque é que o autocarro não passa na Morena? Ou porque é que, na Morena, o preço dos chapéus, toldos e garrafas de água são tão caros? Ou porque é que a Fonte da telha continua naquela desordem com tantas casas ilegais e tanto lixo no chão? Ou porque parece haver melhores estradas para ir para a Fonte da Telha? Ou porque é que a praia da Morena tem um acesso dificil e entope tão facilmente se houver excesso de carros?

Antes de responder a tudo isto, lembre-se que, onde há dinheiro a ganhar, poucas coisas acontecem por coincidência. Note também que, se todas as praias da zona estivessem nas mesmas condições, possivelmente, o café, por exemplo, teria o preço de 1€, um preço médio, o que não seria suficientemente alto para explorar os clientes mais mãos-largas, nem suficientemente baixo para atrair os mais poupadinhos. Desta forma, talvez agora comece a achar as respostas para as questões anteriores. Talvez agora fique mais claro porque é que a praia da Morena tem condições tão diferentes da Morena. Talvez agora perceba o motivo porque é que a tranquilidade e bom ambiente está confinado à praia da Morena. Talvez agora faça sentido porque é que não interessa ter muita e qualquer gente na Morena. Talvez agora descubra porque a câmara consegue sacar uma renda alta ao proprietário do único bar-restaurante da Morena. Talvez agora compreenda porque vai à Fonte da Telha antes de ir à Morena. Talvez agora entenda porque é que todos vão à praia e não se queixam. Talvez agora aceite que, afinal, a praia não é assim tão democrática.

terça-feira, agosto 22, 2006

Ir à praia

O calor leva-nos involuntariamente à praia. O que, bem vistas as coisas, não deixa de ser curioso e paradoxal. Senão, vejamos. A ideia de ir à praia deveria ser a solução para fugir do calor, o nosso estímulo inicial. Contudo, quando vamos à praia, muito rapidamente sonegamos o incómodo do calor, entregando o nosso corpo ao sol tal qual um espeto de picanha se entrega ao assador. Claro que, de quando em vez, lá vamos à água e refrescamos. Mas, por estranho que pareça, ir à água é muito menos do que isso. Muitas vezes, só se vai à água para que não se pense que se vai à praia sem se ir à água. Ou então para suprir alguma necessidade fisiológica. Sim, porque, como toda a gente sabe, quase todos, senão todos, mictam na água. É um facto. A chatice é que todos pensam que por ser no mar, coisa grande e infindável, que não há grande problema. Afinal, tirando o quentinho do momento, e exceptuando os casos de alguns que quando entram na água se põem de cócoras a fingirem estar a ambientar-se à água, a coisa até passa despercebida. Uma gota no oceano, portanto. O pior, é que todos pensam da mesma forma o que faz com que sejam muitas gotas no mesmo oceano e, inevitavelmente, nos nossos lábios.

No fundo, vamos à praia em dias de calor, porque, em primeiro lugar, sabemos que as outras pessoas também irão lá estar. Não passa disso mesmo. Um acto social, onde a matilha se encontra e representa o seu papel de acordo com as suas expectativas e motivações. E, a grosso modo, todas essas expectativas e motivações podem ser enquadradas em dois grupos distintos de pessoas que vão à praia. Os que vão para se mostrar e os que vão para ver. Os primeiros, estão normalmente o ano inteiro no ginásio, e em frente ao espelho, a prepararem-se para o momento, sabendo que, os segundos, estarão lá a olhar para eles a invejá-los e a fazerem promessas para consigo próprios de dietas e exercício físico esforçado.

p.s. O texto anterior, com mais tempo, podia estar mais bem escrito, mas a verdade é que tenho que ir à praia, porque está um calor que não se pode.

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Fica a sugestão para visitarem um blogue bem familiar que, em tempo de férias, ganhou um novo ímpeto. Passem por lá.

segunda-feira, agosto 21, 2006

O Amor é uma coisa a vida é outra

No meio da confusão que permanecem as minhas 2 assoalhadas - e enquanto continuo a procurar um livro para levar para a praia, que seja suficientemente grosso para causar boa impressão e, a espaços, servir de almofada - dei de caras, e com os pés, com uma das crónicas do MEC que mais gosto e que não resisto em colocar aqui, em jeito de compensação pelo meu excesso de preguiça em escrever algo original.

*

Hoje em dia as pessoas apaixonam-se por uma questão prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão mesmo ali ao lado. Por que se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e ao mínimo amuo entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornam-se sócios. Reunem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psicosócio-bio-ecológica da camaradagem. A paixão que devia ser desmedida é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade ficam "praticamente" apaixonadas.

Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim da tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Amor é amor. É essa a beleza. É esse o perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar.

O amor é uma coisa a vida é outra. A vida que se lixe. A vida dura uma vida inteira, o amor não.

* Texto adaptado, rasurado e emendado a partir de uma crónica de Miguel Esteves Cardoso

Estou de Volta

Após um bem merecido período de férias nada melhor de que recomeçar por aqui. A um ritmo lento, como convém. Até porque, está um sol do camandro. Fica no entanto a boa notícia de que isto vai deixar de estar entregue aos bichos. E ao Miguel e à Shana, claro.

Até já ou, dependendo do sol, até daqui a pouco.

quinta-feira, agosto 17, 2006

caça



Fui ao Outlet mais próximo de minha casa, fazer valer os meus direitos de consumidora compulsiva que me furtaram por ocasião do meu aniversário.

Entro na Zara Reduced com olhos de falcão e saio de lá com:
. 1 top verde da moda com brilhantes e tudo, por 2.99
. 2 bandas made in Índia para a cabeça, por 0.30
. uns boxers (Zara Kids) para vocês sabem quem, por 0.95
. uns calções para a praia que desfazem esta harmonia, por 4.99

bem.. o top tem 1 furinho e os boxers não servem a ninguém cá em casa… não me deixam ir lá outra vez, é sempre um risco cada vez que saio com um cartãozinho na mão, dizem-me...

Com casório já no sábado (a razão do alto risco assumido), a pressão intensifica-se para encontrar umas calças à altura: calças em seda na Stefanel: 11.90

Mais tarde, no meio de tanta redução acabo por cometer uma loucura: t-shirt vintage LA Factory, grau de defeito dizem eles 3, mas eu não encontro nada: 7.50

Começo a ouvir na loja apenas o som das caixas registadoras, a ver muita esfregona a passar e decido ir procurar o carro.

Chego a casa, crio ambiente, mostro a caça e recebo um beijinho de alguém muito orgulhoso de mim, no geral..

A espécie dominante II

A minha casa e outras 30 pertencem a um gatinho pardo de rabo cortado.
Será que todos os mamíferos com uma disfunção física têm a mesma tendência para o sucesso ditatorial?

quarta-feira, agosto 16, 2006

A espécie dominante

É com complacência que assisto à divisão das minhas terras pelos gatinhos. Acho que também eles acham que governam o mundo.

terça-feira, agosto 08, 2006

A vida é simples

Acho que a vida é um dom inexplicável. Não consigo compreender por que razão não se extingue o nosso fôlego quando nos entregamos à radiação solar e à brisa marinha dias a fio até nos babarmos de inactividade cerebral.

segunda-feira, agosto 07, 2006

Floribella Espanca tudo e todos

Será que ainda ninguém reparou que a criatura no mínimo precisa de um bom corte de cabelo ?